Aposentados - artigos

Intervenção no encontro da Administração Pública

"Uma nêspera estava na cama deitada, muito calada, a ver o que acontecia. Chegou a Velha e disse: olha uma nêspera e zás comeu-a! É o que acontece às nêsperas que ficam deitadas, caladas, a esperar o que acontece!"

Quis eu, com este breve texto adaptado de Mário Henrique Leiria, "Novos contos do Gin Tónico", 1974, enquadrar inequivocamente o objeto desta minha intervenção. 

Todos nós conhecemos colegas e camaradas que continuam deitados, à espera que as medidas anunciadas, cumprindo os desígnios das troikas de cá e de lá, passem ao lado, sem os atingir ou sequer beliscar, e, entre eles muitos aposentados. Há que os abanar, puxar os lençóis, se preciso for, lançar água para os acordar.

Agora que, o “economês “ infelizmente tomou conta do discurso linguístico dos portugueses, muito por via da nova moda de comentadores televisivos, cujas contratações ombreiam com as dos futebolistas, asseguro-vos que conseguiremos então alavancar a nossa força se, cada um de nós conseguir acordar mais alguns colegas.

Chamamos particular atenção para os trabalhadores em vésperas da aposentação. Há que lhes lembrar, insistir com eles na continuidade nos respetivos sindicatos. Não queiramos ajudar o aparecimento de associações “ditas” independentes e apartidárias. Valeria a pena refletir um pouco sobre as razões destes evidentes divórcios com a ação sindical e sobre as razões da promoção e proteção nos meios de comunicação social daquelas novas associações e movimentos. Que repugnância é esta por organizações de trabalhadores cuja ação reivindicativa levou, ao longo de quase quarenta anos, à conquista dos direitos (e não privilégios como o grande capital e as forças da direita reacionária querem fazer crer)? A quem interessa esse afastamento? Quando essas associações clamam connosco “que direitos conquistados não podem ser roubados”, referem-se forçosamente aos resultados de uma luta organizada no seio dos sindicatos. Não foi certamente a luta individual que teve tais consequências. Sem sindicatos não há regime democrático. E é no seio dos sindicatos que se aprofunda a democracia participativa.

Assistimos a uma espécie de ajuste contas com o 25 de Abril. Não tenhamos dúvidas; a crise não é apenas financeira e económica. É sobretudo, e na sua essência, ideológica. Daí o questionamento sobre os serviços públicos, os ataques às funções sociais do estado, nomeadamente à escola pública de qualidade, ao serviço nacional de saúde, à segurança social. Os problemas dos reformados, aposentados e pensionistas são também os problemas dos trabalhadores em geral. Assim sendo, só no seio das verdadeiras organizações sindicais, os portugueses, e os trabalhadores da administração pública em particular, poderão lutar pelos seus interesses e defender os seus direitos. Sem organização e união não há informação, luta e reivindicação e, sem estas, não há vitória!

Não baixaremos os braços perante o ataque selvagem à dignidade dos aposentados e exemplo disso é esta iniciativa. Assim sendo, há que dinamizar departamentos de trabalhadores na situação de aposentados e reformados em todos os sindicatos. Há que trabalhar no sentido da manutenção dos trabalhadores no seio dos respetivos sindicatos, possivelmente em condições especiais de quotização e organização. Só assim, poderemos motivar todos para as lutas que são de todos: trabalhadores no ativo e na aposentação. Os problemas de uns são ou serão os dos outros. Não deixemos que se instale a divisão. Seria importante, se juridicamente possível, que, após encontro com o Provedor de Justiça, se avançasse para uma queixa nos tribunais europeus acerca das irregularidades e injustiça da chamada CES (contribuição extraordinária de solidariedade), esgotado o recurso ao Tribunal Constitucional, vencidos mas não convencidos ou rendidos.

Termino com José Saramago: “ É a hora de uivar, porque se nos deixamos levar pelos poderes que nos governam, e não fizermos nada para os contestar, pode dizer-se que merecemos o que temos”.

Uivemos! Lutemos! Venceremos!!!

Ah! E nunca se viu nenhum lobo uivar dentro da sua toca…

Viva o Encontro dos trabalhadores aposentados da Administração Pública!

Maria Isabel Lemos*

* - dirigente do SPRC; coordenadora da inter-reformados da União dos Sindicatos de Coimbra, membro da direção nacional da Inter- reformados – CGTP-In; representante da Inter-reformados na FERPA (Féderation Européenne des Retraités et des Personnes Âgées).

7.ª Conferência Nacional da Interreformados - Professores aposentados participaram activamente

Os professores da região centro estiveram representados na 7.ª Conferência Nacional da Interreformados por dirigentes do SPRC/FENPROF. Para além das intervenções realizadas sobre a situação da aposentação, foram aprovados importantes documentos que constituem as bases para a acção dos trabalhadores aposentados e reformados.

Isabel Lemos, professora aposentada dos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico EB 23 da Mealhada, passou a integrar a direcção nacional da interreformados, estrutura dos trabalhadores reformados e aposentados da CGTP-IN.

Através da consulta à página da CGTP-IN sobre esta frente de trabalho, é possível conheceres os documentos aprovados e o teror de algumas das intervenções. Podes ai9nda visionar fotografias e filmes da iniciativa.

- Consulta http://www.cgtp.pt/inter-reformados

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