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Insuficiência das medidas de prevenção e de segurança sanitária leva a que mais de 90% dos docentes sintam preocupação ou medo

(Resultados de um estudo realizado através de consulta aos professores e educadores)

90,5% dos docentes afirmam ter preocupação ou mesmo medo quando estão nas escolas.

Compete, pois, ao ME reforçar as condições de segurança sanitária, superando as atuais insuficiências, e aprovar medidas adequadas de prevenção, entre as quais estão os rastreios às comunidades escolares.

Compete ao ME garantir transparência sobre a situação epidemiológica nas escolas, sendo inaceitável que a mesma continue a ser encoberta.

Como é que, com quase mil escolas com casos de COVID19, só se registam surtos em 68 ou 94 casos (últimos dados oficiais divulgados)?

O problema é que continuam a não ser realizados testes à população escolar, apesar de, nos últimos seis meses, o número de crianças e jovens infetados (dos 0 aos 19 anos) ter aumentado vinte vezes, enquanto na população em geral esse aumento foi da ordem dos 9%.

Como se caracteriza, hoje a situação?

O número de alunos nas turmas não foi reduzido, o que impede o indispensável distanciamento dentro das salas de aula

• Apesar da recomendação da DGS ser no sentido da constituição de pequenos grupos para garantir o distanciamento recomendado, 83,7% dos professores confirmam que o número de alunos por turma se manteve e só 6,1% admitem ter sido reduzido. Mas há mesmo 10,2% de professores a afirmar que o número de alunos por turma aumentou.

Limpeza dos espaços feita por assistentes operacionais (AO), ocorre, maioritariamente, só ao final do dia.

• 59,9% dos docentes afirmam que a limpeza que é feita pelos assistentes operacionais só acontece ao final do dia, como antes da pandemia. O número dos que confirmam serem os alunos e os docentes que limpam entre cada utilização é de 30,4%. Só em 40,1% das respostas é dito que a limpeza é feita pelo pessoal auxiliar entre cada utilização de espaços da escola.

Em relação ao ano anterior, o número de assistentes operacionais (AO) manteve-se ou até decresceu.

Só 17,5% das respostas afirmam ter aumentado o número de assistentes operacionais. Já 64,3% refere que o número de assistentes operacionais se manteve e 18,5% diz ser inferior este ano. Este é um problema gravíssimo vivido pelas escolas, pois já antes da pandemia o número de assistentes operacionais era escasso face às necessidades.

No 1.º período, nas escolas, as máscaras foram distribuídas, mas nem sempre em quantidade suficiente e com a qualidade necessária.

• De uma forma geral foram distribuídas, como confirmam 96,3% dos professores. O problema foi, segundo quase metade dos docentes (46,3%), as máscaras serem em número insuficiente e/ou de má qualidade (elásticos que se partem com facilidade, porosidade…).

No contexto de pandemia, a atividade dos docentes tornou-se muito mais exigente.

• No contexto de pandemia que vivemos, as aulas decorrem de forma atípica, com os professores a não poderem aproximar-se dos alunos, a trabalharem de máscara, a não encontrarem os seus colegas com a frequência habitual, o que leva 83,4% a considerar que a atividade docente, nestas condições, é muito mais exigente. Só 16,1% afirma ser semelhante e 0,5% (residual) diz haver menor exigência.

Quanto à possibilidade de serem infetados com Covid-19, a maioria dos professores diz-se preocupado e muitos afirmam sentir medo quando estão nas escolas.

Só 9,5% dos docentes afirmam sentir-se em segurança.

Não surpreende, pois face às insuficientes condições existentes, que antes se referem, é natural que 67,4% sinta preocupação e uma faixa ainda significativa, de 23,1% diga mesmo ter medo de ser infetado.

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