Contra o Pacote Laboral! Uma multidão, uma mensagem: Resistir e Lutar!
- 2 de mar.
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A manifestação nacional convocada pela CGTP-IN voltou a encher, este sábado, as ruas do Porto e de Lisboa com milhares de trabalhadores vindos de todo o país. Sob palavras de ordem contra o chamado “pacote laboral”, a jornada culminou com a aprovação, por aclamação, de uma resolução que fixa o rumo da luta sindical nas próximas semanas e meses: a exigência da retirada imediata das propostas governamentais e a revogação das normas laborais consideradas mais gravosas.
Uma multidão, uma mensagem
Desde o início da jornada, colunas de trabalhadores de vários sectores — indústria, transportes, comércio, administração pública, saúde e educação — convergiram para os locais de concentração, num ambiente marcado por palavras de ordem, faixas e pancartas que denunciavam o aumento do custo de vida e a degradação das condições de trabalho.
No centro da contestação esteve o pacote laboral que, segundo a resolução aprovada, visa “perpetuar os baixos salários, impor despedimentos sem justa causa, agravar e eternizar a precariedade, desregular e prolongar ainda mais os horários de trabalho, atacar os direitos de maternidade e paternidade, destruir a contratação colectiva e os direitos nela consagrados, atacar a liberdade sindical e o direito de greve”.
A leitura pública do texto foi acompanhada por aplausos e por um mar de bandeiras vermelhas, num momento que simbolizou a convergência de diferentes lutas sectoriais numa reivindicação comum.
Greve Geral como marco
A resolução sublinha que os trabalhadores “não se resignam” e recorda a “adesão massiva” à Greve Geral de 11 de Dezembro como “prova cabal” da rejeição do pacote laboral. Para a central sindical, essa jornada representou uma derrota política das propostas governamentais, reforçada pela entrega ao Primeiro-Ministro de mais de 190 mil assinaturas recolhidas nos locais de trabalho.
“Os trabalhadores rejeitaram o pacote laboral e exigem a sua retirada”, afirmaram, acrescentando que a mobilização demonstrada “serve de aviso a todos aqueles que consideram que a voz dos trabalhadores não conta”.
Um outro rumo
Para além da rejeição das medidas propostas, a resolução aponta um caminho alternativo: “um outro rumo no qual os trabalhadores sejam valorizados e colocados no centro de uma política de desenvolvimento, progresso e justiça social”.
Entre as prioridades elencadas estão o reforço dos serviços públicos e das funções sociais do Estado, a defesa do Serviço Nacional de Saúde, da Segurança Social pública, universal e solidária, da Escola Pública e do direito à Habitação. O texto invoca ainda os “direitos de Abril” e a sua consagração constitucional como base de uma política que assegure “uma vida digna para todos os que trabalham e trabalharam”.
Compromisso de intensificar a luta
A parte final da resolução assume um compromisso claro: intensificar a luta reivindicativa e recorrer “a todas as formas de luta que a situação imponha” para derrotar o pacote laboral e melhorar as condições de trabalho e de vida.
O apelo estende-se a todas as estruturas sindicais e organizações de trabalhadores, incentivando a convergência e a unidade na exigência da retirada das medidas.
Ao cair da tarde, a manifestação terminou com palavras de ordem que ecoaram pela cidade: “Viva a CGTP-IN! Viva a luta dos trabalhadores! A luta continua!”. A mensagem ficou clara — a mobilização não se encerra nesta jornada. Pelo contrário, marca o início de uma nova etapa de confronto social em torno das políticas laborais e do modelo de desenvolvimento que o país deve seguir. | LL
Lisboa, 28 de Fevereiro de 2026

































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