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Achatamento salarial prejudica salários intermédios

Desvalorização prossegue na Administração Pública


As decisões tomadas pelo Conselho de Ministros em relação a 2002 e à matéria salarial revela o prosseguimento da perda de poder de compra, a desvalorização salarial dos salários médios, a redução real das pensões e dos salários e uma enorme falta de respeito pelos trabalhadores do Estado, alimentando a cada vez maior fuga dos seus quadros.


O Negócios revela que “Trabalhadores com salário mínimo no Estado aumentam 22%”. E explica que “São sobretudo assistentes operacionais, mas também auxiliares de ação médica, soldados ou forças de segurança. Com a subida de 6% passam a estar abrangidos pelo salário mínimo nacional 110 mil pessoas, 15% do total no Estado."


Da leitura do título e do lead poderia parecer que o Estado estaria a contratar mais e que iria pagar aos novos trabalhadores o salário mínimo, mas não. Não se trata nada disso. O Negócios explica que o achatamento da diferença salarial entre os que menos ganham e os que mais ganham não se faz pela valorização generalizada dos trabalhadores da administração pública, mas sim pelo aumento do número dos que, por força da valorização mínima salarial, "apanham" aqueles que já se encontravam nos 705 euros. Ou seja, trabalhadores há (22%) que passarão a auferir o salário mínimo quando antes estavam patamares acima.


Mas o Negócios explica, ainda, que, ao contrário do que Alexandra Leitão tinha prometido, os trabalhadores da administração pública, como, aliás, se previa, não vão ter os seus salários atualizados para cobrir o valor da inflação. O governo já aprovou os conhecidos 0,9%, mas a inflação estimada para 2022 já se encontra nos 1,02%. Ou seja, continuará uma política de contenção salarial apoiada por uma progressiva perda de poder de compra. A Ministra desculpa-se com não ter esperado pelo conhecimento dos valores estimados para a inflação (em 14 de dezembro) com necessidades de "operacionalização".


Pois é! Rima e é verdade: e quem se lixa é o mexilhão!


As pensões também perdem


Segundo o "Negócios", "O Governo aprovou ainda a atualização de todas as pensões. A partir de 1 de janeiro. as pensões até 336 euros vão subir 1%, enquanto as restantes terão subidas entre 0,24% e os 0.49%."


O Conselho de Ministros nem as pensões safou deste ataque aos rendimentos, como se os trabalhadores que são ou foram da administração pública estivessem condenados a esta espécie de castigo. A desvalorização salarial acompanha, assim, as pensões, sendo que nas que ultrapassam os 336 euros (que o governo acha ser uma fartura, como se percebe) a perda ainda é superior. Se a isto não se chama "Uma vergonha!"...


Os professores e investigadores não escapam a este ataque, sendo, mesmo, dos mais penalizados. Virá o governo talvez justificar que é resultado da não aprovação do Orçamento do Estado para o próximo ano. É falso! Esta matéria não carece de um Orçamento do Estado aprovado porque Costa e Leão sabem que há margem para outra política de rendimentos do trabalho. Principalmente para aqueles que, sendo trabalhadores do Estado, estiveram nos últimos dois anos na primeira linha da intervenção, apesar da COVID-19 e por causa da COVID-19.

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