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Quebra relativa brutal das remunerações líquidas entre 2011 e 2023


A perda de poder de compra das remunerações dos trabalhadores da administração pública, do setor privado e como o governo pretende facilitar a evasão e fraude fiscais das empresas.


Um estudo de Eugénio Rosa, enviado às organizações sindicais nos últimos dias, analisa as perdas de poder de compra dos salários ilíquidos dos trabalhadores das administrações públicas e do setor privado, "utilizando as remunerações médias de janeiro de 2023 dos trabalhadores da Função Pública divulgadas pela Direção Geral da Administração e Emprego Público (DGAEP), portanto, dados oficiais", bem como "a perda de poder de compra destes trabalhadores entre 2011 e 2023 que atinge, em média, -14,6%".


Dando alguns exemplos, este economista refere profissionais em que a perda de poder de compra é muito maior. "São exemplos os médicos em que a perda de poder de compra atinge -23,1%; os professores com uma perda de -22%; os oficiais de justiça: -17,4%; os técnicos superiores: -19,8%; o Pessoal de investigação cientifica: - 35% (assim se vê como a investigação cientifica é apoiada no nosso país)".

​Profissão

2011 RBMMI

2011 RBMML

2023 RBMMI

2023 RBMML

RMI 2023 c/ dedução inflação

Variação poder de compra 2011 2023 (líquida)

Investigação Científica

3 323 €

2 093 €

2 769 €

1 664 €

1 360 €

-35%

Docente Universitário

3 558 €

2 206 €

3 785 €

2 119 €

1 733 €

-21,4%

Docente Politécnico

2 925 €

1 872 €

3 263 €

1 863 €

1 523 €

-18,6%

Educ Infância e Prof. Básico/secundário

2 056 €

1 419 €

2 293 €

1 353 €

1 106 €

-22%

Administração Pública

-14%

Legenda: RBMMI - Remuneração Base Média Mensal Ilíquida; RBMML - Remuneração Base Média Mensal Líquida; RMI - Remuneração Mensal Ilíquida.


Eugénio Rosa confirma uma crítica que a FENPROF e o SPRC têm apontado à falta de estímulo ao emprego, designadamente de jovens docentes, que, devido à sua forçada deslocação para zonas longe das suas residências, implica um enorme desgaste salarial, incompatível com as necessidades que têm de uma remuneração que compense esse desgaste e garanta um futuro compatível com a sua exigência profissional e o seu importante papel social.


Refere, a este propósito, ser "evidente que com os baixos salários que se praticam nas Administrações Públicas, que constam também do estudo, e com esta perda de poder de compra é praticamente impossível contratar trabalhadores qualificados e com as competências necessárias de que a Administração Pública precisa, não só para enfrentar os desafios atuais, como para fornecer aos portugueses serviços de qualidade que eles necessitam (saúde, educação, transportes, etc.)".


No estudo que realiza, Eugénio Rosa aborda, também, a "perda de poder de compra dos trabalhadores do setor privado, utilizando dados do INE, entre 2015 e 2023". De registar que este economista acusa o atual governo de facilitar "o aumento da evasão e fraude fiscais pelas empresas para, depois, para compensar, aumentar os impostos sobre os trabalhadores e pensionistas. Situação esta que ainda se vai agravar pela pressão da NATO para Portugal aumentar as despesas militares para 2% do PIB e para financiar a guerra na Ucrânia".


A esse propósito, recorda que o Secretário Geral da NATO esteve, recentemente, no nosso país e foi recebido por António Costa com esse objetivo. E alerta, ainda, que esse aumento da despesa com o esforço belicista de reforço do orçamento militar do país só será possível aumentando impostos e cortando nas despesas sociais, nas remunerações da Função Pública e no investimento público. E termina: "É preciso não ter ilusões e não acreditar em milagres neste campo porque não há".


O texto completo pode ser lido em

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