PESQUISA
1122 resultados encontrados com uma busca vazia
- Reorganização dos ciclos de ensino exige debate público e envolvimento dos professores
Está em curso um debate sobre a reorganização dos ciclos de ensino que exige a atenção e o envolvimento de toda a comunidade educativa, da educação pré-escolar ao ensino superior. Para a FENPROF, não se trata de uma discussão meramente técnica ou neutra: o que está em causa é o futuro da Escola Pública, a coerência pedagógica do sistema educativo, a garantia do direito à educação com qualidade e equidade e o papel do Estado na sua responsabilidade indeclinável. Sob os argumentos da “modernização” ou da “flexibilização”, podem estar a ser equacionadas soluções que fragilizariam percursos educativos, aprofundariam desigualdades e desestruturariam modelos pedagógicos consolidados, com impactos diretos na organização das escolas e nas condições de trabalho docente. O anúncio recente da intenção do Governo de avançar com uma reformulação do sistema educativo já em 2027 surge sem o efetivo envolvimento da comunidade educativa, sem uma avaliação rigorosa das condições existentes e sem um debate público esclarecido sobre as consequências pedagógicas, organizacionais e sociais de uma alteração desta natureza. Do ponto de vista laboral e profissional, a reorganização dos ciclos pode traduzir-se em maior instabilidade, polivalência forçada, desvalorização da formação específica, mobilidade acrescida e precarização do trabalho docente. Corre-se, assim, o risco de utilizar esta reorganização como resposta errada à falta de professores— um problema estrutural que resulta de anos de desinvestimento, desvalorização da carreira e degradação das condições de trabalho, e não tendo por base os critérios pedagógicos e de melhoria do sistema educativo que deveriam estar por detrás desta proposta Em vez de resolver as causas, adapta-se o sistema à escassez, com prejuízo para a qualidade do ensino e para os direitos dos profissionais. Perante este cenário, a FENPROF alerta para o facto de os professores não poderem ser meros espetadores. Têm o direito, e o dever, de intervir no debate público, de exigir participação efetiva nos processos de decisão e de recusar soluções impostas sem diálogo. A FENPROF sublinha, ainda, que qualquer alteração à organização dos ciclos de ensino implicará, necessariamente, uma revisão da Lei de Bases do Sistema Educativo, processo que encerra riscos significativos face à agenda neoliberal do Governo e às suas consequências para a Escola Pública. O futuro da Escola e da Profissão Docente não pode ser decidido à margem de quem nela trabalha todos os dias. O debate alargado é necessário, urgente e inadiável. O Secretariado Nacional da FENPROF
- FENPROF debateu desafios da Inteligência Artificial no Ensino Superior e na Ciência... mas não só!
A FENPROF realizou, no passado sábado, 24 de janeiro, um encontro de trabalho subordinado ao tema “Os desafios da IA no Ensino Superior e na Ciência” , que reuniu cerca de três dezenas de docentes e investigadores de todo o país. A iniciativa, de caráter exclusivamente presencial, a um sábado, promoveu uma reflexão aprofundada sobre a generalização do uso da inteligência artificial generativa no ensino e na investigação científica. Inicialmente centrada no ensino superior e na investigação científica, facilmente extravasou para outros planos, designadamente para o universo geral do sistema de ensino. Na abertura dos trabalhos, o secretário-geral da FENPROF, Francisco Gonçalves, sublinhou preocupações relacionadas com uma administração pública dominada por algoritmos, os impactos da IA na formação integral de crianças e jovens e as consequências ambientais do seu uso. Questionou ainda quem deve orientar o desenvolvimento da IA, defendendo que essa responsabilidade cabe aos Estados, desde que atuem em função do interesse geral e não dos grandes interesses económicos. O encontro contou com intervenções de Cláudia Figueiredo (Universidade de Aveiro), Maria João Rendas (Instituto Superior Técnico), Paulo Brazão (Universidade da Madeira) e Pedro Vasconcelos (Universidade do Porto), bem como a moderação de Miguel Viegas, membro do Secretariado Nacional e do Departamento do Ensino Superior e Investigação da FENPROF. Comunicação de Claudia Figueiredo (UAv) Apresentação em PDF - slides Comunicação de Maria João Rendas (IST) Apresentação em PDF - slides Comunicação de Paulo Brazão (UMadeira) Apresentação em PDF – slides Comunicação de Pedro Gonçalves (UPorto) Apresentação em PDF - slides O debate que se seguiu destacou tanto as potencialidades da IA como os seus limites e riscos, sobretudo quando utilizada sem controlo democrático ou ao serviço de interesses alheios à formação pedagógica e à criação de conhecimento. Num contexto em que o Governo aprovou recentemente a Agenda Nacional de Inteligência Artificial, a FENPROF considera essencial garantir a participação ativa de professores e investigadores neste processo. O encontro marcou o início de um percurso de estudo e debate que permita uma intervenção informada na defesa do ensino público e de uma ciência ao serviço do país.
- Informação sobre a reinscrição na CGA
Os sindicatos da FENPROF interpuseram cerca de um milhar de processos em tribunal com vista à reinscrição de docentes na Caixa Geral de Aposentações (CGA). Entre estes, há processos já transitados em julgado e outros que aguardam decisão do Plenário do Tribunal Constitucional (TC), no âmbito da fiscalização abstrata sucessiva da constitucionalidade de normas da Lei n.º 45/ 2024, de 27 de dezembro. No caso destes últimos, impunha-se a obtenção de informação sobre o agendamento do Plenário do TC. Assim, no seguimento do pedido efetuado à Procuradoria-Geral da República no final de novembro e da resposta recebida no mês de dezembro, na qual era afirmado que a matéria “tem vindo a ser acompanhada pelo Ministério Público junto do Tribunal Constitucional e que o mesmo encontra-se a aguardar que se encontrem reunidas as condições que lhe permitam promover a organização de processo nos termos do disposto no artigo 82.º da Lei do Tribunal Constitucional, o que ainda não ocorreu até à presente data”-, a FENPROF solicitou, agora, junto do Tribunal Constitucional informação sobre o agendamento da referida fiscalização abstrata sucessiva da constitucionalidade de normas da Lei n.º 45/2024, de 27 de dezembro. Recorde-se que as normas em causa, que regulam o direito de ex-subscritores serem reinscritos na CGA, já foram julgadas inconstitucionais em mais de três casos de fiscalização concreta, circunstância que reforça a necessidade de uma decisão com força obrigatória geral. A informação hoje mesmo recebida dá nota que, ontem, deu entrada no Tribunal Constitucional o pedido do Ministério Público com essa finalidade. Seguir-se-á o agendamento do plenário para o efeito. Apesar do tempo decorrido desde a entrada do primeiro processo em Tribunal, em 2019, a FENPROF não desistiu nem desistirá desta causa. Pelo contrário, a persistência da ação sindical e a sucessão de decisões favoráveis aproximam-nos agora da sua resolução definitiva, no respeito pelos direitos dos docentes e pela Constituição da República Portuguesa. Lisboa, 28 de janeiro de 2026 O Secretariado Nacional da FENPROF
- Grande Entrevista com os Secretários-Gerais da FENPROF - uma viagem pelo Trabalho, pela Escola, pela Profissão
Na mais recente edição do Jornal da FENPROF , em formato online, destacamos uma entrevista em vídeo com os secretários-gerais da FENPROF, Francisco Gonçalves e José Feliciano Costa. A entrevista foi realizada no passado dia 22 de janeiro na EB 2,3 Manuel da Maia, em Lisboa, uma escola marcante na história da formação do sindicalismo docente livre após o 25 de Abril de 1974. Entre os temas abordados, sobressaem opiniões sobre matérias de especial importância para professores, educadores e investigadores, nomeadamente: O processo em curso de revisão do estatuto da carreira docente, cujas primeiras medidas do Governo apontam para uma profunda desvalorização da profissão e exigem a mobilização de todos os docentes e investigadores; O desmantelamento do MECI, cujas consequências para a Escola Pública e a profissão docente, de especial gravidade estão já a ser vividas nas escolas; O impacto do pacote laboral na educação e a luta de docentes e investigadores. Nesta entrevista destaque ainda, entre outros temas, para a ação reivindicativa prevista: O aprofundamento de reuniões e plenários sindicais que se têm realizado nas escolas desde o início do ano; O grande plenário nacional de quadros sindicais, marcado para 30 de janeiro, em Lisboa; A caravana nacional “Somos professores, damos rosto ao futuro”, agendada para fevereiro e março. Assista à entrevista e fique a par das posições da FENPROF sobre os temas que mais impactam a Educação em Portugal.
- Concurso Externo Extraordinário: Afinal o número de “novos professores” colocados foi de 395!
Conforme já anunciado pela FENPROF aquando da publicação da Portaria n.º 365-A/2025, de 23 de outubro, confirma-se o que vinha sendo alertado: a exígua abertura de apenas 1800 vagas (menos 509 do que em 2024), revelou-se manifestamente insuficiente. Acresce que 161 dessas vagas nem sequer foram preenchidas, evidenciando a inadequação do modelo adotado face às reais necessidades das escolas. Esta abertura exígua de vagas, ainda por cima limitada a apenas alguns Quadros de Zona Pedagógica (QZP) e a determinados grupos de recrutamento, fica muito aquém das necessidades reais do sistema educativo, num contexto em que o agravamento da falta de professores é uma realidade incontornável. Os dados do 1.º período do ano letivo de 2025/2026, quando comparados com o período homólogo de 2024/2025, são particularmente elucidativos: aumento de 42% no número de horários em ofertas de contratação de escola; aumento de 35% no número de alunos afetados; aumento de 55% no número de horas por lecionar, num total de 252 598 horas colocadas a concurso. Trata-se de um fenómeno que, ao contrário da mensagem que o MECI tenta passar, é já extensível a todo o país, ilhas incluídas, o que torna incompreensível que a abertura de vagas tenha sido restrita apenas a dez QZP, circunscritos a alguns concelhos do distrito de Santarém, à Área Metropolitana de Lisboa, e alguns QZP do Alentejo e Algarve. Os concursos de vinculação extraordinária são momentos importantes, na medida em que permitem a vinculação de um conjunto de docentes. Contudo, acrescentam poucos professores ao sistema, como demonstram os números agora conhecidos: das 1639 vinculações realizadas, cerca de 75.9% correspondiam a docentes que se encontravam a lecionar à data da candidatura. Importa ainda sublinhar que 697 docentes, que vincularam neste concurso, concorreram em 2.ª prioridade, ou seja, sem habilitação profissional para a docência . Estes docentes ingressam provisoriamente na carreira, dispondo de um prazo máximo de quatro anos para consolidar o vínculo após a abertura dos primeiros cursos de profissionalização adequados. Tal realidade exige, desde logo, a garantia de vagas suficientes em cursos de profissionalização em serviço , o que não foi assegurado: centenas de docentes ficaram sem vaga, aos quais se juntarão, previsivelmente, os agora vinculados de forma provisória. Os dados das colocações evidenciam, uma vez mais, a profundidade da falta estrutural de professores no sistema educativo e a incapacidade dos concursos em dar resposta às necessidades existentes. O QZP 45 foi o que registou o maior número de colocações, com 908 docentes , seguido do QZP 46 , com 312 colocações — os dois QZP que integram a Área Metropolitana de Lisboa . Em terceiro lugar surge o QZP 60 , com 75 colocações , correspondente às zonas do Algarve que dispunham de maior número de vagas, nomeadamente Monchique, Portimão, Lagoa e Silves . Importa sublinhar que apenas o QZP 40 — que abrange Alenquer, Azambuja, Cartaxo, Rio Maior e Santarém — conseguiu preencher todas as vagas colocadas a concurso , num total de 52 vagas, correspondentes a 52 colocações, situação claramente excecional no panorama nacional. Dos 28 grupos de recrutamento com vagas abertas, 12 ficaram com vagas por ocupar, destacando-se, entre outros, os seguintes casos mais significativos: -GR 120 – Inglês (1.º ciclo): 17 vagas por ocupar, em 45; -GR 210 – Português e Francês: 14 vagas por ocupar, em 20; -GR 220 – Português e Inglês : 25 vagas por ocupar, em 81; -GR 320 – Francês: 25 vagas por ocupar, em 47; -GR 350 – História: 17 vagas por ocupar, em 34; -GR 550 – Informática: 30 vagas por ocupar, em 180; -GR 910 – Educação Especial: 11 vagas por ocupar, em 139; -GR 920 – Educação Especial (domínio da audição): nenhuma das 4 vagas foi ocupada. Quanto aos grupos de recrutamento com maior número de colocações , destacam-se: -GR 300: 247 docentes colocados; -GR 110 – 1.º ciclo: 215 docentes colocados; -GR 550 – Informática: 150 docentes colocados; -GR 500 – Matemática: 142 docentes colocados; -GR 910 – Educação Especial: 128 docentes colocados; -GR 420 – Geografia: 100 docentes colocados. Um dado particularmente preocupante é o facto de, em 13 grupos de recrutamento , o número de docentes colocados em 2.ª prioridade ter sido superior ao da 1.ª prioridade , o que evidencia uma crescente dependência de docentes sem habilitação profissional. Esta situação verifica-se, de forma clara, em grupos como os GR 220, 300, 320, 540 e 550 , entre outros. Como a FENPROF tem afirmado de forma consistente, a resposta à falta estrutural de professores não se resolve com medidas avulsas ou concursos insuficientes. A solução passa, necessariamente, pela valorização efetiva da profissão docente — única via para atrair jovens para a carreira e, simultaneamente, para recuperar os muitos milhares de professores que, entretanto, foram sendo empurrados para fora do sistema. Lisboa, 27 de janeiro de 2026 O Secretariado Nacional da FENPROF
- FENPROF denuncia junto do MECI incumprimento da lei por parte de muitas IES
Uma delegação do Departamento do Ensino Superior e Investigação da FENPROF esteve reunida esta quarta-feira (dia 21) no Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) para negociar a proposta de portaria que regulamenta a avaliação dos investigadores a trabalhar nos laboratórios do Estado e noutros serviços da administração direta e indireta do Estado. Miguel Viegas, do Departamento do Ensino Superior e Investigação e do Secretariado Nacional da FENPROF, esclareceu que esta foi apenas uma primeira reunião, que serviu, fundamentalmente, para o MECI apresentar as suas propostas para o protocolo negocial e para esta portaria. Uma vez que apenas teve conhecimento dos documentos na reunião, a FENPROF remeteu o envio do seu parecer para depois de uma análise mais cuidada das propostas e aproveitou para denunciar, mais uma vez, o incumprimento da lei por parte de muitas das Instituições de Ensino Superior (IES). O exemplo mais gritante tem sido a não abertura de concursos de carreiras para os investigadores contratados ao abrigo do DL57/2016. Num momento em que os próprios tribunais dão razão à FENPROF, é fundamental que o MECI faça pressão junto das IES para que estas integrem os seus investigadores na carreira, nos termos da legislação. Outro exemplo prende-se com as progressões obrigatórias que constam no novo Estatuto de Carreira do Investigador Científico e que se aplicam às carreiras docentes, conforme determina o seu artigo 3.º (disposições transitórias), e que, uma vez que a lei já se encontra em vigor, já deveriam estar em aplicação. Sobre a situação dramática dos investigadores que não foram contemplados pelo programa FCT-Tenure, ouvimos da parte do MECI a intenção de lançar um instrumento equivalente, mas sem qualquer prazo, pelo que mais uma vez se comprova que só a luta dos investigadores poderá pressionar o governo e as IES a avançar com medidas sérias para combater a precariedade que continua a ser a regra no mundo da ciência. Vê aqui como aceder ao plenário nacional online de investigadores, agendado para esta quinta-feira às 13 horas e participa! #ESIC #Negociação #IES
- Há degradação das condições de trabalho na monodocência. Divulgação de resultados de inquérito nacional
A FENPROF tem vindo a denunciar de forma reiterada, as condições de trabalho a que estão sujeitos os docentes em regime de monodocência, na Educação Pré-Escolar e no 1.º Ciclo do Ensino Básico, sublinhando a urgente necessidade de valorização destes profissionais e das suas condições de exercício. A degradação continuada dessas condições constitui uma das principais causas do crescente desgaste e desmotivação na profissão docente. As especificidades da monodocência, agravadas pelo envelhecimento do corpo docente e pela escassez de profissionais, estão a conduzir muitos docentes a situações de rutura profissional e, em número crescente, ao abandono da profissão. Foi neste contexto que a FENPROF realizou um inquérito nacional junto dos docentes da Educação Pré-Escolar e do 1.º Ciclo do Ensino Básico sobre as condições de trabalho na monodocência, incidindo particularmente sobre: as práticas de substituição de docentes em faltas de curta duração; a presença e o papel dos/as Assistentes Operacionais (AO) nas salas de jardim de infância, quer ao longo de toda a componente letiva, quer no acompanhamento das crianças e alunos. O inquérito, que recolheu 351 respostas , revela práticas preocupantes que colocam em causa a qualidade do trabalho educativo, a segurança das crianças e alunos, bem como o respeito pelo enquadramento legal e pelas funções docentes. Educação Pré-Escolar: responsabilização indevida de Assistentes Operacionais Na Educação Pré-Escolar, os resultados evidenciam uma dependência excessiva dos/as AO para assegurar o funcionamento das salas na ausência de educador(a): Em 40,5% das ausências de curta duração, os/as AO ficam responsáveis pelo grupo na sala de atividades; Em 22,9% dos casos, as crianças são distribuídas por outras salas; Apesar de 88,3% dos grupos terem um(a) AO atribuído, em 20,5% das situações esse assistente não acompanha o grupo durante todo o horário letivo diário; Em contexto de greve, 15,1% das respostas indicam que os/as AO ficam responsáveis pelos grupos. 1.º Ciclo do Ensino Básico: distribuição de alunos como resposta dominante No 1.º Ciclo, a gestão das ausências de docentes assenta sobretudo na distribuição dos alunos por outras turmas: Esta prática ocorre em 33,6% das ausências de curta duração; Em 19,7% das situações os/as AO ficam responsáveis pela turma; Em dias de greve, essa responsabilidade é atribuída a AO em 8,3% dos casos. Irregularidades e ilegalidades identificadas Os resultados do inquérito refletem preocupações amplamente partilhadas pelos docentes quanto à gestão das faltas de curta duração, destacando-se: a distribuição de crianças e alunos por outras salas ou turmas, com a agravante de, na maioria das situações reportadas, os grupos ou turmas integrarem crianças/alunos com Necessidades Específicas (NE), algumas das quais abrangidas por medidas de redução de turma. Foi igualmente referido que, de forma frequente, nestas situações, são ultrapassados os limites legalmente fixados de crianças/alunos por grupo ou turma, nos termos do Despacho Normativo n.º 10-A/2018, registando-se situações em que a frequência atinge entre 26 e 30 crianças/alunos. Importa ainda salientar que estas práticas, embora com frequência variável, ocorrem, em alguns casos, mais do que uma vez por semana, havendo inclusive situações que se prolongaram por vários meses, até à colocação do/a docente titular ou da respetiva substituição; a colocação de grupos ou turmas sob responsabilidade de Assistentes Operacionais, ainda que supervisionados por outros docentes; o recurso frequente a docentes com redução da componente letiva ao abrigo dos n. os 2 e 3 do artigo 79.º do ECD, a docentes de Apoio Educativo ou a coordenadores de estabelecimento para suprir ausências; a não permanência de AO nas salas de jardim de infância durante toda a componente letiva e, em várias salas, não se verifica a afetação de um(a) assistente operacional por grupo, em clara violação dos normativos legais aplicáveis à Educação Pré-Escolar. Para além destas situações irregulares, o inquérito identifica práticas ilegais , nomeadamente em contexto de greve, em que os/as AO ficam responsáveis pelos grupos ou turmas, ou em que as Atividades de Animação e de Apoio à Família (AAAF) e a Componente de Apoio à Família (CAF) asseguram o funcionamento das atividades letivas. Entrega e apresentação dos resultados Tendo em conta o quadro legal em vigor e as competências de monitorização e fiscalização da Inspeção-Geral da Educação e Ciência (IGEC) sobre o funcionamento das instituições educativas, a FENPROF entregou os resultados do Inquérito sobre as Condições de Trabalho na Monodocência e solicitou uma intervenção urgente da IGEC que permita clarificar procedimentos, pôr termo a práticas ilegais e assegurar a garantia de condições adequadas para o exercício da prática pedagógica dos/as docentes, assegurando a reposição da legalidade na organização dos tempos letivos e não letivos, salvaguardando, em simultâneo, a qualidade da educação e os direitos das crianças. A FENPROF reafirma que a substituição de docentes deve ser assegurada por profissionais com habilitação profissional, rejeita a utilização de AO como resposta estrutural para a falta de docentes e exige medidas urgentes que garantam condições de trabalho dignas, seguras e pedagogicamente adequadas, em defesa da Escola Pública e do direito das crianças e alunos a uma educação de qualidade. Lisboa, 22 de janeiro de 2026 O Secretariado Nacional da FENPROF #monodocência #IGEC #EducaçãoPréEscolar #1CEB
- 30 JANEIRO - Plenário Nacional de Quadros Sindicais sobre a revisão do ECD
No próximo dia 30 de janeiro, a FENPROF vai realizar um Plenário Nacional de Quadros Sindicais sobre a revisão do Estatuto da Carreira Docente (ECD). Numa altura em que decorre o processo negocial com o Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) é importante que os docentes, em particular os dirigentes, delegados e ativistas sindicais, conheçam as propostas que estão a ser apresentada pelo governo e o que está em causa nesta revisão do diploma estruturante da carreira. No dia 30 de janeiro, às 14:30 horas, no Grande Auditório do ISCTE, em Lisboa, dirigentes, delegados e ativistas dos sindicatos da FENPROF mobilizam-se por uma justa Revisão do ECD que valorize de facto a profissão docente e a Escola Pública! Participa! Mobiliza! O ECD está em perigo! A carreira tem que ser valorizada, não pode ser minada!
- FENPROF solicita intervenção urgente da IGEC sobre as condições de trabalho na monodocência
A FENPROF tem vindo a constatar e a denunciar, de forma reiterada, as condições de trabalho a que estão sujeitos os educadores e professores em regime de monodocência, na Educação Pré-Escolar e no 1.º Ciclo do Ensino Básico. A progressiva degradação destas condições constitui uma das principais causas do crescente desgaste profissional e do abandono da carreira docente, tornando cada vez mais urgente a valorização destes profissionais e das suas condições de trabalho. As especificidades inerentes à monodocência, agravadas pelo envelhecimento do corpo docente e pela escassez de profissionais, estão a conduzir muitos educadores e professores a situações de rutura, com impactos evidentes na qualidade do ensino, no funcionamento das escolas e no bem-estar das crianças. Neste contexto, a FENPROF realizou um inquérito junto dos docentes da Educação Pré-Escolar e do 1.º Ciclo do Ensino Básico, centrado em questões críticas, nomeadamente: A gestão das faltas de curta duração dos docentes, recorrendo, em muitos casos, à distribuição de crianças/alunos por outras salas/turmas ou colocadas sob responsabilidade de um(a) assistente operacional, supervisionado/a por outro/a educador(a) ou, ainda, por docentes que usufruem de redução da componente letiva ao abrigo dos pontos 2 e 3 do artigo 79.º do ECD, por docentes de Apoio Educativo, por coordenadores de estabelecimento, entre outras situações; A presença de Assistentes Operacionais (AO) nas salas de jardim de infância durante toda a componente letiva e no acompanhamento das crianças; A identificação de ilegalidades em situações de greve, com assistentes operacionais a assumir funções docentes e com a manutenção do funcionamento das Atividades de Animação e de Apoio à Família (AAAF) e da Componente de Apoio à Família (CAF). Os resultados do inquérito evidenciam preocupações amplamente partilhadas pelos docentes, revelando práticas irregulares na gestão das faltas de curta duração, soluções diferenciadas entre agrupamentos e uma preocupante e generalizada falta de assistentes operacionais, designadamente nas salas de jardim de infância, comprometendo a qualidade pedagógica, a segurança e o bem-estar das crianças. Perante a gravidade das situações identificadas, e considerando o quadro legal em vigor, bem como as competências de monitorização e fiscalização da Inspeção-Geral da Educação e Ciência (IGEC), a FENPROF solicitou a realização de uma reunião no dia 22 de janeiro, pelas 11h00 , com o objetivo de proceder à entrega formal e apresentação dos resultados do Inquérito sobre as Condições de Trabalho na Monodocência . A FENPROF considera indispensável uma intervenção urgente da IGEC, que permita clarificar procedimentos, pôr termo a práticas ilegais e assegurar condições de trabalho dignas para os docentes, salvaguardando simultaneamente a qualidade da educação e os direitos das crianças. No final da reunião serão prestadas declarações sublinhando a importância desta iniciativa e a divulgação pública dos resultados obtidos neste levantamento nacional sobre as condições de trabalho na monodocência. Lisboa, 21 de janeiro de 2026 O Secretariado Nacional da FENPROF #monodocência #monodocentes #IGEC
- Opinião: Olhos bem abertos para defender uma Educação de qualidade
por Mário Nogueira , Presidente da Mesa da Assembleia Geral do SPRC | Seria muito importante que os portugueses não fechassem os olhos a nada, sendo exigentes e reivindicativos em relação aos seus direitos, ao seu bem-estar e ao progresso e desenvolvimento do país. Há que ter os olhos bem abertos e o olfato apurado para detetar tudo o que cheira a ódio e intolerância, sabendo distinguir o discurso eivado desses venenos da liberdade de expressão que a Revolução dos Cravos devolveu. Na área da Educação, destaco 3 aspetos em relação aos quais não devemos, sequer, pestanejar: - A falta de professores , que decorre de políticas, de diversos governos, que desvalorizaram a profissão e a fizeram perder atratividade. A carência não pode ser subestimada e os professores em falta não podem ser substituídos por aqueles que já se encontram exaustos, dada a sobrecarga de trabalho que sobre si já recai, nem por quem não tem as devidas qualificações, pois serão as crianças e os jovens os grandes penalizados, bem como o futuro do país. Face ao problema, que tem vindo a agravar-se, compete aos docentes reivindicar melhores condições de trabalho, estabilidade e carreira digna e valorizada para que a profissão se torne atrativa para os jovens. Esta exigência deverá contar com o apoio solidário e o envolvimento de toda a sociedade. - O subfinanciamento da Educação , problema que já se tornou crónico, prejudicando a organização e o funcionamento das escolas e impondo sérios constrangimentos à sua capacidade para dar as respostas que se exigem, com a qualidade a que todos têm direito. Organizações internacionais, como a UNESCO e outras, recomendam que o financiamento público da Educação represente 4 a 6% do PIB ou, em alternativa, 15 a 20% do total do Orçamento do Estado. Em Portugal representará, em 2026, apenas 2,56% do PIB (previsto para 2025) e não mais do que 5,37% do valor total do OE 2026. Este subfinanciamento, a ser (mal) disfarçado com a transferência de responsabilidades para fundos europeus ou municipais, fará arrastar velhos problemas e surgir novos. - As tentativas de pôr em causa o princípio constitucional da Escola Pública de matriz democrática , que é garante de igualdade de oportunidades, equidade, qualidade e inclusão, embora ainda haja caminho a percorrer para que cumpra o seu papel em pleno. A democracia deverá manifestar-se na vontade e capacidade de incluir todos, independentemente das diferenças e da sua natureza, na existência de medidas de discriminação positiva que assegurem igualdade de oportunidades no acesso e também no sucesso e, ainda, na gestão escolar, que deverá implicar todos na tomada de decisões e não, apenas, alguns. Elegibilidade, colegialidade e participação são requisitos de uma gestão verdadeiramente democrática. Se em Portugal, de olhos bem abertos, não se abrir mão da educação das crianças e dos jovens, sem exclusões, a Escola Pública assumirá, em pleno, o papel que lhe está atribuído e que passa por ensinar, educar e formar cidadãos com valores democráticos, capazes de tornar a sociedade mais desenvolvida, solidária e socialmente justa. Será muito importante que, em 2026, sejam dados novos passos nesse sentido, contrariando retrocessos que se têm verificado e outros que alguns gostariam de impor. #marionogueira #SPRC
- ReCAP não serve à valorização da carreira docente!
A adoção do ReCAP como referencial para a profissão docente acabaria com a profissão como a entendemos! O ReCAP torna-se problemático para a profissão docente quando é usado como instrumento de controlo e não de valorização; se sobrepõe ao ECD e à especificidade da docência; reforça a burocracia e a avaliação padronizada; fragiliza a autonomia e a dignidade profissional. Os professores e educadores do ensino público não superior não terão outra forma de impedir esta mudança tão negativa que não seja a luta. Com um plenário no dia 30 de janeiro e uma caravana que percorrerá os 18 distritos do continente e as regiões autónomas, entre 19 de fevereiro e 4 de março, procurarão perseguir, dessa forma, este objetivo: valorizar a profissão e levar o governo a uma mudança de política que seja determinante para fazer face ao grande problema, do qual ninguém pode alhear-se, a falta de professores. [novo] Documento para consulta - Importante!
- Assegurar condições para a profissionalização em serviço para todos os que necessitam
Os docentes que, à data da colocação no concurso externo extraordinário, não sejam detentores de habilitação profissional para a docência ingressam provisoriamente na carreira e consolidam o vínculo no prazo máximo de quatro anos após a abertura dos primeiros cursos correspondentes às condições de profissionalização. Para tal, importaria garantir desde logo que todos os que necessitavam tinham acesso a vagas no curso de profissionalização em serviço. O que não foi assegurado, ficando centenas de docentes sem vaga. Também não foram asseguradas as condições para a sua concretização, com a respetiva redução horária letiva. O facto de só agora saírem os resultados de acesso ao curso de profissionalização, que já deviam ter iniciado em setembro, não pode condicionar a operacionalização deste direito. Daqui decorre a necessidade dos colegas que se encontrem nas circunstâncias descritas se manterem atentos e informados junto dos seus Sindicatos.













